Era uma foto, era um espelho... quebrado...
Visto pelos olhos de um ninguém suavemente maltratado
Onde se via o que não se quer ser
E se esperava ser tudo aquilo que não se quer ver
Um abandono momentâneo,
Um devaneio espontâneo...
Um grito, calado, frio, no vento gelado
Onde se via apenas o nada irritavelmente assustado
Deixe-me aqui ou me leve pra longe
Encolhida, escondida em um buraco distante
Onde ninguém possa ver o que meus olhos dizem
Através de seu contagioso silêncio inconstante.
Deixe-me aqui jogada entre os cacos
Faça de mim um de seus pedaços...
Pois já não sou mais meus próprios pedaços
Sou apenas restos de um porta-retrato
Evelise Fernandes Chagas