quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tempo


Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano.

Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero. Estamos, a partir de então, por nossa conta. Sozinhos. Começamos a vida em perda e nela continuamos.

Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem. Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo. Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói. E continuamos a perder e seguimos a ganhar.

Perdemos primeiro a inocência da infância. A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas porque alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cair... E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar. Por quê? Perguntamos a todos e de tudo. Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás.

Estamos crescendo. Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer.

Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros. Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo, quando algo nos é tomado contra a vontade. Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres. Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.

Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho ou puxar as pelanquinhas do braço da vó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto. Estamos crescidos e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros. E aprendemos. E vamos adolescendo, ganhamos peso, ganhamos, seios, ganhamos pelos, ganhamos altura, ganhamos o mundo.

Neste ponto, vivemos em grande conflito. O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos ah! os sonhos!!! Ganhamos muitos sonhos. Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.

Aí, de repente, caímos na real! Estamos amadurecendo, todos nos admiram. Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados. Perdemos a espontaneidade. Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo. Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais? A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado?

E continuamos amadurecendo, ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um diploma. E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer.

Mas perdemos peso!!! Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos-lhe aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade. E assim, vamos ganhando tempo, enquanto envelhecemos.

De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso. e perdemos cabelos. Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir. perdemos a esperança. Estamos envelhecendo.

Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo. Afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer, exceto aquele que se faz em vida, pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede.

Que a gente cresça e não envelheça simplesmente. Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie. Que tenhamos rugas e boas lembranças. Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia. Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos. E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, sintam-se amados mais do que saibam-se amados.

Afinal, o que é o tempo? Não é nada em relação a nossa grande missão. E que missão!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Meu olhar...



Se meu olhar
te disser além, muito além
do que queres saber,
desvia.

Se meu olhar
me trair
e deixar transparecer
toda a ternura
que tenho por ti,
disfarça.

Se meu olhar
tentar assim
te conquistar e seduzir
e o brilho ardente
te incomodar,
dissimula.

Se meu olhar,
em teu olhar, encontrar
a mesma sintonia,
por favor,
sorria...



terça-feira, 19 de maio de 2009

Declaro-me Viva...


Declaro-me Vivo


Saboreio cada momento
Antigamente me preocupava quando os outros falavam mal de mim.
Então fazia o que os outros queriam,
e a minha consciência me censurava.
Entretanto, apesar do meu esforço para ser bem educado,
alguém sempre me difamava.
Como agradeço a essas pessoas,
que me ensinaram que a vida é apenas um cenário!
Desse momento em diante, atrevo-me a ser como sou.
A árvore anciã me ensinou
que somos todos iguais.
Sou guerreiro:
a minha espada é o amor,
o meu escudo é o humor,
o meu espaço é a coerência,
o meu texto é a liberdade.
Perdoem-me, se a minha felicidade é insuportável,
mas não escolhi o bom senso comum.
Prefiro a imaginação dos indios,
que tem embutida a inocência.
É possível que tenhamos que ser apenas humanos.
Sem Amor nada tem sentido, sem Amor estamos perdidos,
sem Amor corremos de novo o risco de estarmos
caminhando de costas para a luz.
Por esta razão é muito importante que apenas o Amor
inspire as nossas ações.
Anseio que descubras a mensagem por detrás das palavras;
não sou um sábio,
sou apenas um ser apaixonado pela vida.
A melhor forma de despertar
é deixando de questionar se nossas ações
incomodam aqueles que dormem ao nosso lado.
A chegada não importa, o caminho e a meta são a mesma coisa.
Não precisamos correr para algum lugar,
apenas dar cada passo com plena consciência.
Quando somos maiores que aquilo que fazemos,
nada pode nos desequilibrar.
Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores do que
nós, o nosso desequilíbrio está garantido.
É possível que sejemos apenas água fluindo;
o caminho terá que ser feito por nós.
Porém, não permitas que o leito escravize o rio,
ou então, em vez de um caminho, terás um cárcere.

Amo a minha loucura que me vacina contra a estupidez.
Amo o amor que me imuniza contra a infelicidade
que prolifera, infectando almas
e atrofiando corações.
As pessoas estão tão acostumadas com a infelicidade,
que a sensação de felicidade
lhes parece estranha.
As pessoas estão tão reprimidas, que a ternura espontânea
as incomoda, e o amor lhes inspira desconfiança.
A vida é um cântico à beleza,
uma chamada à transparência.
Peço-lhes perdão, mas….
¡ DECLARO-ME VIVO!

Chamalú.
Indio Quechua

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Falam por aí...


“Falam por aí que eu vivo num mundo à parte,
onde não existem maldades
e onde tudo dá certo no fim…
Falam por aí que eu sou ingênua demais
e prefiro acreditar num mundo do meu jeito
que não existe, onde tudo tem o seu lado bom…
Falam por aí que eu me decepcionarei muito com a vida real.
Eu sei disso.
Basta assistir um dia de telejornal
ou prestar atenção as fofocas de rua
e eu me decepciono sim com muitas coisas da vida real.”

Mas… ainda assim, prefiro acreditar no meu mundo!
Prefiro viver um dia de cada vez,
com toda intensidade possível!
Prefiro conversar com cachorros de rua,
ver desenho em nuvens,
receber visita de beija-flor
e tomar banho de mangueira!
Esse é meu mundo…
onde acredito na amizade,
acredito no pote de ouro no final do arco-íris,
acredito no amor verdadeiro,
acredito no perdão e no esquecimento,
acredito no ‘deixa pra lá’.
Um mundo leve, alegre, colorido e em paz!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Não busco...


Não busco formas perfeitas, pois sou a pura imperfeição.
Não busco regras, pois tenho medo que elas se tornem a minha prisão.
Não busco nem o certo, nem o errado, pois se julgo nego o que não sei.
Não busco descobrir os caminhos, pois sei aonde vai dar a estrada.
Não busco regelar os sonhos, pois a realidade se encarrega de matá-los.
Não busco limites, pois transpô-los transcende a minha própria existência.
Não busco liberdade vigiada, pois é como estar presa no caos.
Não busco o inteiro, pois sou feita de partes.
Não busco o medo, pois já conheço o bicho que habita dentro de mim.



domingo, 10 de maio de 2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

Saudades...


Há um ano e sete meses atrás perdi o meu anjo, e ia perdendo também a minha vida.
Durante estes meses, eu chorei, gritei, desesperei, afundei-me na mais profunda dor.
Durante estes meses eu aprendi a viver com um vazio que poucos entendem, lambi as feridas, reergui a cabeça e renasci.
Durante este tempo todo conheci pessoas fantásticas, reconheci os verdadeiros amigos e quem realmente é importante na minha vida.
O meu anjo não partiu em vão.
A sua partida fez-me crescer ...
Hoje posso dizer que sou um ser humano melhor.
E a cada dia que passa sinto-me mais forte, apesar daqueles dias mais tristes...